(Passado)
Involuntariamente, os dois aproximaram-se. Parecia um amor platónico, aquela substância perfeita da qual todos sonham. Ele sabia que não podia haver mais nada entre eles, dado a situação, e isso entristecia-o.
(Passado ainda mais antigo)
Quando ele a conhecera, ela estava num namoro. Não pretendiam ter algo mais, ser só amigos bastava. Foi então que a sua relação cresceu. Nada disto lhe tinha acontecido antes, então era tudo óptimo e utópico. Tinham uma amizade como ninguém tinha. Uma aproximação descomunal que os descansava a alma. Mas certos temas tiveram que ser abordados e na altura que ele a questionou de seu amado, desenrolou-se a história. Daí a sua amizade floresceu como se numa estufa onde tudo era perfeito. Não queriam ver que aquilo era errado. Que não tinha futuro. Era uma questão de tempo, mais precisamente 6 meses, para que eles se casassem. Oh, como era bom que isso não acontecesse.
Tudo caíu sobre ele e a sua visão clareou. Ele era "o outro". Ele seria a pessoa a mais. O terceiro vértice do triângulo. E não era isto que ele queria.
(De volta ao Passado)
Era no dia do casamento dela. E, como em todas as ocasiões festivas, todos se reuniam pela igreja, para celebrar aquele grande acontecimento. Mas no caso dele, não era assim tão grande. Ele estava terrivelmente feliz pelo que estava a acontecer; isto significaria que tudo acabaria. Como o tudo ou nada, a relação deles ia ser forçada a retroceder, pois as atenções seriam demasiadas. Então isto significava a sua liberdade.
Quando tudo acabou, as luzes apagadas, a música silenciada, e todas as pessoas ausentes, ela deixou-se ficar para trás para conversar comigo. Era necessária a opinião "do outro", a sua aprovação de tudo. Os seus olhos fitaram-se e disse ela, num pequeno acto de tentar retroceder:
- Beija-me.
- Não posso - disse o outro -, estaria a enganá-lo. Não consigo.


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