quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A ilha dos amores


De longe a ilha viram, fresca e bela,
Que Vénus pelas ondas lha levava
(Bem como o vento leva branca vela)
Para onde a forte armada se enxergava;
Que, porque não passassem, sem que nela
Tomassem porto, como desejava,
Para onde as naus navegam, a movia
A Acidálida, que tudo, enfim podia.

Num vale ameno, que os outeiros fende,
Vinham as claras águas juntar-se,
Onde uma mesa fazem, que se estende
Tão bela quanto se pode imaginar.
Arvoredo gentil sobre ela pende,
Como que pronto para se afeitar,
Vendo-se no cristal resplandecente,
Que em si o está pintanto propriamente.

in Lusíadas de Luís de Camões (adaptado)

(fotografia: South Africa)

1 comentário:

MJAY ' disse...

Tá linda esta foto :)

Linda, linda, linda. Transmite paz, calma, noite, ÁFRICA. Resumindo tudo, traduz "Roberto" (: