terça-feira, 31 de março de 2009

LP

The little things give you away !

segunda-feira, 23 de março de 2009

Annie Leibovitz



" I'm free falling ! "

quarta-feira, 18 de março de 2009

10. O Olhar

Ele pôs os seus óculos. Era algo que tinha sido pensado e repensado. Porque naquela escola, naquele meio social, os olhares lançados eram como balas; era tudo observado, examinado e criticado, bom ou mau. Tinha pensado se deveria ter comprado os óculos. Tom sempre fora alguém sem muita confiança nele, no seu corpo e naquilo que usava. E aquela situação era nova. Após muita deliberação, concluiu que sim, eram mesmo o seu género e que o favoreceriam !
Usou-os, com alguma vergonha; uma vergonha que não era bem vergonha. Por ser uma situação nova, á qual não estava acostumado, sentia-se esquesito. Mas gostava ! Era bom ser o centro das atenções, para variar. Ser cobiçado era bom !
Colocou-os, e saiu da sala. Quando chegou cá fora, fechou os olhos e parou. Pensou na confiança que devia ter e na insignificancia que era usar uns óculos !
Continuou a andar e foi para perto dos seus amigos. Falava e ria-se. E subitamente, olhou para o lado. Tanta gente ! Encontrou o olhar de um rapaz que conhecia, com quem não se tinha dado muito bem, mas algo estava diferente. O seu olhar era de espanto. De inveja.

A inveja que ele tanto desejara.

terça-feira, 17 de março de 2009

09. Descodifica-me, por favor

Estavam juntos e a sua relação era fenomenal. Nesse dia ela estava atribulada, tinha tido um dia péssimo e, como tal, estava nervosa. E não estava com cabeça para nada.
Quando ela expressou esse sentimento, de desconforto, Tom abraçou-a, de uma forma amigável e disse:
- Não fiques assim! - e seguiu com um sorriso.
Os seus olhos fitaram-se. Mas sempre com olhares de felicidade e amizade. Ela sorria, com a sua feição espantosa, e iluminava todo o interior de Tom. Aquele sentimento de conforto e prazer que ele adorava.

E todos os seus pensamentos gritavam "Descodifica-me, por favor" .

domingo, 8 de março de 2009

08. O Epílogo Atrasado

Temo que não comecei a história pelo início.
A personagem que têm acompanhado, aquele rapaz cheio de indecisões e pensamentos, ora obscuros e confusos, ora claros e distintos, é Tom Greene. Afectado pelo mundo exterior, a sua infância foi extremamente pacífica. Seus pais sempre tiveram um modo de ver as coisas muito alternativo. E daí sua mente ser diferente; e suas reacções incrívelmente únicas e esquesitas. É um rapaz de extrema sinceridade. E principalmente, honesto com ele próprio. E tudo o que fazia era calculado segundo um critério de: será que me vou sentir bem comigo mesmo ?
Era calculista, então, mas de uma forma muito inocente. Tentava ter algum humor, e era ocasionalmente bem sucedido. Porém, as suas tácticas de discurso, embora fluídas, eram extensas em demasia, levando ao aborrecimento do ouvinte comum. Era estudioso e tenha as suas metas bem definidas. Algumas.
Sempre quisera deixar um espaço para o mistério. Para o destino. Era algo que o cativava: um factor surpresa no futuro, que o deixava sempre com falta de ar (devido á ansiedade). Era asmático, mas lidava bem com isso. E tinha os ataques esporádicos, controlados.
Adorava a natureza; talvez devido á tranquilidade que lhe transmitia, ou ao isolamento que tão procurava ao fim de um dia atarefado. Adorava a confusão. Quando as exigências aumentavam, a palma das mãos suavam, e o volume subia drásticamente, Tom sentia a adrenalina a invadir-lhe o corpo. A excitação da confusão. A vida.
A sensibilidade era algo no qual ele era dotado. Por isso gostava de alguns métodos de exteriorização das suas emoções. A escrita. A fotografia. O desenho.
Era dotado em várias artes. E por isso alternava entre elas resultando numa pessoa extremamente criativa. Adorava pensar. E ás vezes pensava demais.
E tudo o que ele queria era alguém que o apreciasse, que o amasse, e que ficasse com ele, como ele era.

E que fossem felizes para sempre.

sábado, 7 de março de 2009

07. A Partida (num futuro intemporal)

(Num futuro intemporal)
Ele olhou para ela. Sabiam que ia chegar ao fim. A mudança de país era definitiva. E era agora.
Os olhos dela transformaram-se em vidro; estavam completamente brilhantes. E já não estavam imóveis. Mexiam de um lado para o outro, imparáveis.
As suas mentes comunicavam como uma. Reviam todas as conversas que tinham tido até este momento. Todos os momentos. Todas as acções.
Não havia mais tempo.
Como se já estivesse á espera, ele disse o que tinha que ser dito:
- Adeus.
- Adeus - disse ela.
- Vou ter muitas saudades tuas.

Ela não foi capaz de continuar a falar. E permaneceram em silêncio.

sexta-feira, 6 de março de 2009

06. O Percurso

Ajudar alguém de quem gosto a conquistar outro. Feito.
Tentar ser imparcial. Feito.
Tentar não dar nas vistas. Feito.
Rezar para que ela não goste do outro. Feito.
Ela deixar de gostar do outro. Feito.
Conquistá-la. Em curso.

"Excellent! That was a lovely dinner, Tom.
She complimented him on the lovely dinner."
in Ficha de Inglês

05. A Chama

"Não sei se por indecisão minha, ou se por decisão, mas sei que cada vez gosto mais de ti. Não sei porque te escolhi nem se te escolhi. Só sei que cada vez que olho para ti, um sorriso vem-me á cara. Não, a tua cara não mete piada, nem nada disso. Parece que quando te vejo, acendes uma chama dentro de mim. E essa chama faz-me rir; de felicidade por gostar de ti e de alegria por poder estar contigo. Apesar de todas as nossas diferenças, porque tu gostas de tudo simples, e eu ... só algumas coisas, acho que podemos ser tão felizes.
Nunca mais me vou esquecer do momento em que me disseste "Estou mesmo a precisar de ti ...". Embora não tenha sido com a intenção que eu queria, só mesmo como amigo também serve. Porque posso desfrutar da tua companhia. "

terça-feira, 3 de março de 2009

AVISO

Aviso que alterei o meu domínio para:
http://lightsinheaven.blogspot.com

04. O Casamento

(Passado)
Involuntariamente, os dois aproximaram-se. Parecia um amor platónico, aquela substância perfeita da qual todos sonham. Ele sabia que não podia haver mais nada entre eles, dado a situação, e isso entristecia-o.

(Passado ainda mais antigo)
Quando ele a conhecera, ela estava num namoro. Não pretendiam ter algo mais, ser só amigos bastava. Foi então que a sua relação cresceu. Nada disto lhe tinha acontecido antes, então era tudo óptimo e utópico. Tinham uma amizade como ninguém tinha. Uma aproximação descomunal que os descansava a alma. Mas certos temas tiveram que ser abordados e na altura que ele a questionou de seu amado, desenrolou-se a história. Daí a sua amizade floresceu como se numa estufa onde tudo era perfeito. Não queriam ver que aquilo era errado. Que não tinha futuro. Era uma questão de tempo, mais precisamente 6 meses, para que eles se casassem. Oh, como era bom que isso não acontecesse.
Tudo caíu sobre ele e a sua visão clareou. Ele era "o outro". Ele seria a pessoa a mais. O terceiro vértice do triângulo. E não era isto que ele queria.

(De volta ao Passado)
Era no dia do casamento dela. E, como em todas as ocasiões festivas, todos se reuniam pela igreja, para celebrar aquele grande acontecimento. Mas no caso dele, não era assim tão grande. Ele estava terrivelmente feliz pelo que estava a acontecer; isto significaria que tudo acabaria. Como o tudo ou nada, a relação deles ia ser forçada a retroceder, pois as atenções seriam demasiadas. Então isto significava a sua liberdade.
Quando tudo acabou, as luzes apagadas, a música silenciada, e todas as pessoas ausentes, ela deixou-se ficar para trás para conversar comigo. Era necessária a opinião "do outro", a sua aprovação de tudo. Os seus olhos fitaram-se e disse ela, num pequeno acto de tentar retroceder:
- Beija-me.
- Não posso - disse o outro -, estaria a enganá-lo. Não consigo.